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Amor perdido que ilumina

𝙋𝙧𝙞𝙢𝙚𝙞𝙧𝙤 𝘾𝙖𝙣𝙩𝙤 — 𝙌𝙪𝙚𝙧𝙤 𝙤 𝙦𝙪𝙚 𝙅𝙖́ 𝙁𝙤𝙞 Hector Othon Eu sei que te perdi. Mas não aceito. Não porque ainda sejamos, mas porque fomos. Porque havia um lugar que era meu. E agora não é. Dói ver que a vida seguiu sem me pedir licença. Que alguém chegou onde eu me ausentei e fez caber o que eu deixei cair. Eu quero não porque posso. Quero porque não posso mais. Quero como quem estica a mão para algo que já se partiu e chora porque ninguém devolve o tempo. Sei que não é amor maduro. É apego. Sofro — muito. Uma recusa silenciosa em aceitar a perda. Estou sofrendo. O buraco é profundo. Está insuportável. Olho para trás e me castigo: “se eu tivesse ficado”, “se eu tivesse visto”, “se eu tivesse cuidado”. Mas isso não traz de volta. Só aprofunda a insuportabilidade de sentir meu amado em outros braços. Eu não quero teu presente. Quero o meu passado. Quero o lugar que eu ocupava sem perceber. Dói não porque te amo, mas porque fui substituída ...

🎼 AQUIETAR E RECOMEÇAR

🎼 AQUIETAR E RECOMEÇAR Poema em Quatro Movimentos I — Grave (Molto oscuro) Estou grave. Um acorde denso se instala no peito, pesado como um céu sem fendas. A vida perde o compasso e eu, cansada, tropeço nas perguntas que não param de nascer. Tudo dói. Dói não dar conta. Dói tentar e falhar. Dói o mundo não caber no contorno do meu desejo. As horas se esticam como corredores sem porta. O ar encurta. Os pensamentos colidem — febris, truncados, sem nexo. O chão cede. E eu desço. Desço mais. Até onde a esperança é um luxo antigo, quase indecente. II — Presto agitato (Quase ruptura) Ali, no fundo, onde até o choro se exaure, eu me calo. Silêncio. No silêncio, a pergunta nua, sem metáfora, sem defesa: Será que morri? (pausa longa) III — Adagio sostenuto (Entrega) Uma luz no fim do túnel. Pequena. Frágil. Mas viva. Não vou deixá-la apagar. A explosão cessa. A tortura se dissolve. O que vem agora é repouso. Uma calma que não explica, mas envolve. Como se uma mão ...

Vênus - Plutão

Rapto de Proserpina Vênus - Plutão Hector Othon  A partir de agora, conjunção de Vênus com Plutão . O céu ativa o mito — e o mito nos atravessa. É a síndrome do rapto de Proserpina por Plutão : o desejo que seduz, a beleza que puxa para baixo, o amor que promete intensidade e cobra entrega total. Se bobear, a gente cai no abismo infernal achando que é paixão, confunde profundidade com perda, fusão com desaparecimento. Plutão não quer metade. Quer tudo. Quer a raiz, o osso, a sombra. Quer posse, controle, exclusividade, quer que Vênus desça ao subsolo e aprenda a amar sem luz. Mas há escolha. Sempre há. Eu prefiro Dionísio . Não o rapto — a adoração . Não o sequestro da alma — o êxtase consciente. Não o amor que aprisiona — o amor que liberta. Dionísio não puxa para baixo, ele dissolve para expandir. Não captura: convida. Não controla: embriaga de presença. Com ele, o corpo é templo, o prazer é rito, a entrega é escolha viva, não condenação. Nesse t...

Sem expectativas

✨𝙎𝙚𝙢 𝙚𝙭𝙥𝙚𝙘𝙩𝙖𝙩𝙞𝙫𝙖𝙨 𝙃𝙚𝙘𝙩𝙤𝙧 𝙊𝙩𝙝𝙤𝙣  Já aprendi. Agora, diante da experiência, não fabrico expectativas. Caminho descalço pelo que acontece. Vivo o que rola. Sem ensaio. Sem promessa. Amo mesmo quando não gosto. E isso é novo. Antes eu confundia amor com conforto. Hoje sei: amor é permanência lúcida diante do que me toca. Contemplo. Não para concordar, mas para deixar de lutar. Há coisas que só se dissolvem quando são vistas sem defesa. Pouco a pouco, vou liberando o que ainda sinto do passado. Aquelas marcas antigas que distorcem o que capto, que pintam o presente com cores que não lhe pertencem. Desmonto as advertências do ego, suas placas de perigo, seus julgamentos apressados. Eles falam alto, mas não são sábios. Esvazio. E contemplo. E quando consigo, aquilo que me molestava se esfuma, como névoa ao sol. Redescubro — com um espanto manso — o que me acontece é mágico. Não por ser perfeito, mas porque responde àquilo qu...

Desabafo

Desabafo Eu sento dentro do silêncio e a tristeza chega sem pedir licença. Não é drama — é um tom grave, inevitável, como um piano tocado com cuidado no início da manhã. As notas caem lentas, uma a uma, cinza-azul, ecoando no peito. Cada som tem cor, cada pausa tem peso. O ar é frio e cheira a coisa antiga que ainda dói. Vejo sombras longas se movendo nas paredes internas. Não são inimigas. São lembranças respirando. O piano insiste, agora mais fundo, mais próximo do osso. Meu corpo vibra. O som vira água. Primeiro riacho. Depois corrente. Depois tudo corre. O azul escurece, vira verde úmido, vira espuma branca. Já não controlo o ritmo. A música me atravessa e eu deixo. Sou cachoeira. Sou queda. Sou força sem freio. O choro não pede desculpa, o som explode, o mundo se lava. E então — depois do excesso, depois do rugido, depois da catarse — a água desacelera. O som se afasta. O corpo fica leve. Surge um silêncio novo, transparente, com cheiro de te...

Discurso para a Reunião de Família

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Discurso de Natal – “O Segredo Maravilhoso” Hector Othon (Dito com calma. Em pé. Olhando nos olhos de cada um, como quem entrega uma verdade guardada há muitos anos.) Família… peço a atenção de todos. Eu tenho um segredo maravilhoso para contar a vocês. Não é um segredo de mistério, nem de dor, nem de desgraça. É um segredo que, na verdade, todos nós carregamos no peito — mas que eu nunca tive coragem de dizer em voz alta. Hoje eu digo: Eu amo cada um de vocês. Sim. Cada aconchego que recebi quando me viram triste… Cada discussão que, no fim, virou abraço… Cada chamada de atenção, cada castigo que depois virou aprendizado… Cada cara fechada minha que souberam respeitar… Cada mão estendida quando eu estava me afogando — mesmo quando eu fingia que estava tudo bem. Vocês são o solo onde eu cresci, o espelho onde me reconheço, e o porto onde sempre posso voltar — mesmo quando me perco… mesmo quando me torno sombra de mim mesmo. (pausa. respira fundo. a voz embarga, mas permanece firme) Peç...

mi amor

  Ella (pensando hacia él): "Pensaba que contigo iba a envejecer... ¿Te acuerdas? Soñaba con ese futuro donde nuestras arrugas serían como mapas de todo lo que vivimos juntos." Él (respondiendo desde la distancia): "Yo también lo soñaba, mi amor. Pero parece que este mundo no estaba hecho para nosotros. Tal vez en otra vida, en otro universo, podamos tener esa oportunidad." Ella: "A veces miro el atardecer y te veo ahí, reflejado en cada tono anaranjado. Es como si me hablaras sin palabras, como si tus ojos todavía pudieran encontrarme." Él: "Y yo miro al cielo buscándote, esperando verte caer como una estrella fugaz. Pero sé que eres más que eso... Eres mi baile inolvidable, mi fiesta eterna." Ella (con una sonrisa melancólica): "Si alguien me ve triste, déjenme así. No quiero explicarles que soy culpable de extrañarte tanto. Esta tristeza también es parte de ti." Él: "Lo entiendo, porque yo tampoco no puedo olvidarte. No puedo bo...