Vênus - Plutão
Hector Othon
A partir de agora, conjunção de Vênus com Plutão.
O céu ativa o mito — e o mito nos atravessa.
É a síndrome do rapto de Proserpina por Plutão:
o desejo que seduz,
a beleza que puxa para baixo,
o amor que promete intensidade
e cobra entrega total.
Se bobear,
a gente cai no abismo infernal
achando que é paixão,
confunde profundidade com perda,
fusão com desaparecimento.
Plutão não quer metade.
Quer tudo.
Quer a raiz, o osso, a sombra.
Quer posse, controle, exclusividade,
quer que Vênus desça ao subsolo
e aprenda a amar sem luz.
Mas há escolha.
Sempre há.
Eu prefiro Dionísio.
Não o rapto — a adoração.
Não o sequestro da alma — o êxtase consciente.
Não o amor que aprisiona —
o amor que liberta.
Dionísio não puxa para baixo,
ele dissolve para expandir.
Não captura: convida.
Não controla: embriaga de presença.
Com ele, o corpo é templo,
o prazer é rito,
a entrega é escolha viva,
não condenação.
Nesse trânsito,
Vênus pode aprender dois caminhos:
ou desce à força
e se perde na escuridão de Plutão,
ou desce por vontade própria,
volta inteira
e transforma desejo em sabedoria.
Que seja culto,
não cárcere.
Que seja entrega,
não rapto.
Que seja amor em transe —
mas com alma presente.
que seja dançando e cantando.
Ditirambo!
Evoé!
🍷✨
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