Discurso para a Reunião de Família



Discurso de Natal – “O Segredo Maravilhoso”
Hector Othon

(Dito com calma. Em pé. Olhando nos olhos de cada um, como quem entrega uma verdade guardada há muitos anos.)

Família…
peço a atenção de todos.

Eu tenho um segredo maravilhoso para contar a vocês.

Não é um segredo de mistério,
nem de dor,
nem de desgraça.

É um segredo que, na verdade,
todos nós carregamos no peito —
mas que eu nunca tive coragem de dizer em voz alta.

Hoje eu digo:

Eu amo cada um de vocês.

Sim.

Cada aconchego que recebi
quando me viram triste…
Cada discussão que, no fim, virou abraço…

Cada chamada de atenção,
cada castigo que depois virou aprendizado…

Cada cara fechada minha
que souberam respeitar…

Cada mão estendida
quando eu estava me afogando —
mesmo quando eu fingia que estava tudo bem.

Vocês são o solo onde eu cresci,
o espelho onde me reconheço,
e o porto onde sempre posso voltar —

mesmo quando me perco…
mesmo quando me torno sombra de mim mesmo.

(pausa. respira fundo. a voz embarga, mas permanece firme)

Peço perdão
pelas vezes em que me fechei demais…
pelas palavras que não disse…
e pelas que disse com dureza,
esquecendo que palavras também ferem.

Pelo tempo que deixei passar
sem ligar,
sem visitar,
sem lembrar que vocês estavam aqui —

vivos,
respirando,
me amando.

Acreditem:
esse amor transborda no meu peito —
às vezes é tão grande
que mal cabe em mim.

O mais difícil não foi amar…
foi não saber transformar esse amor
em presença,
em gesto,
em tempo.

Eu tinha medo.

Medo de dizer “eu te amo”
e não acreditarem.

Porque, mesmo amando profundamente,
muitas vezes me escondi no meu mundo —
no celular, nas rotinas, nos meus espaços fechados —
como se liberdade fosse ausência…
como se amar fosse perder o controle.

E assim, mesmo amando,
por medo de me sentir aprisionado,
de me ver comprometido,
eu me afastei.

Fiquei distante.
Fiquei na minha.

E lá, onde nenhum de vocês podia me alcançar,
eu os amava em silêncio…
e agradecia todos os dias
por termos nascido na mesma história.

Por isso, peço perdão por amar tanto
e, ao mesmo tempo, não saber —
ou talvez não querer —
ser o que se espera de mim
como pai, irmão, filho, tio, primo…

Perdão pelo meu egoísmo,
pela minha insensibilidade
nos momentos em que vocês precisaram de mim
e eu virei as costas —

mesmo sabendo o quanto estavam feridos,
mesmo ouvindo, lá no fundo,
o chamado do coração.

(a voz fica mais suave, quase um sussurro, mas cresce em força)

Mas hoje…
neste momento sagrado…

Eu digo: graças por existirem.

Graças por terem me ensinado —
mesmo quando eu, me buscando, fugia.

Graças pela lealdade que não pede prova,
pela coragem que não faz alarde,
e pelo cuidado que não espera recompensa.

E mesmo nos dias em que discordamos…
mesmo quando nos magoamos…
vocês continuam sendo
a minha escolha mais certa.

(voz mais firme, o olhar percorre a sala)

A vida passa rápido demais.
As tempestades chegam sem avisar.
E, muitas vezes, só percebemos
o valor de um abraço
quando ele já não está mais disponível.

Por isso, hoje, eu não quero mais esconder
esse segredo maravilhoso —

este amor que carrego por vocês.

Quero que ele fique aqui,
no meio de nós,
como uma chama acesa no centro da mesa…
como uma promessa escrita
não com tinta,
mas com alma.

(pausa longa)

Prometo amar com mais coragem.
Prometo escutar com mais paciência.
Prometo lembrar, todos os dias,
que somos um só coração —

espalhado em corpos, histórias e cicatrizes,
mas unido por um mesmo fio de luz.

(voz suave, quase espiritual)

E se um dia eu partir antes de alguns de vocês…
saibam que, onde quer que eu esteja —
nas estrelas,
no vento,
no silêncio entre duas respirações —

estarei torcendo por cada um.

Assim como sabemos que,
neste momento,
nossos mortos estão presentes,
nos abençoando
e felizes pela luz que nos une.

Se há algo que eu precise perdoar…
já está perdoado.

Que reine o amor.
Que reinem as virtudes.

Olhando agora para os rostos de vocês…
eu vejo o que sempre soube
e nunca disse:

vocês também me amam.

E sinto, profundamente,
que todos nós nos amamos.

Viva a nossa família!

Que neste Natal —
nesta noite em que o Céu desceu à Terra
em forma de Menino —

nós também renasçamos.

Renasçamos no amor.
Renasçamos no perdão.
Renasçamos na certeza
de que, mesmo imperfeitos,
somos o milagre uns dos outros.

Somos abençoados,
nesta hora sagrada,
todos os que, em nome do Mestre do Amor,
nos reunimos para curar,
para celebrar,
para recomeçar.

(abre os braços lentamente)

Agora…
na Paz de Deus,
olhem para a pessoa ao seu lado.

Nos abracemos.

Abracem uns aos outros.

O amor está curando tudo.

Feliz Natal,
família amada, família abençoada.

Nós nos amamos.
Sem segredos.
Sem medo.

Para sempre.

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