Sem expectativas

✨𝙎𝙚𝙢 𝙚𝙭𝙥𝙚𝙘𝙩𝙖𝙩𝙞𝙫𝙖𝙨
𝙃𝙚𝙘𝙩𝙤𝙧 𝙊𝙩𝙝𝙤𝙣

 Já aprendi.
Agora, diante da experiência,
não fabrico expectativas.
Caminho descalço pelo que acontece.

Vivo o que rola.
Sem ensaio.
Sem promessa.

Amo mesmo quando não gosto.
E isso é novo.
Antes eu confundia amor com conforto.
Hoje sei:
amor é permanência lúcida
diante do que me toca.

Contemplo.
Não para concordar,
mas para deixar de lutar.
Há coisas que só se dissolvem
quando são vistas sem defesa.

Pouco a pouco,
vou liberando o que ainda sinto do passado.
Aquelas marcas antigas
que distorcem o que capto,
que pintam o presente
com cores que não lhe pertencem.

Desmonto as advertências do ego,
suas placas de perigo,
seus julgamentos apressados.
Eles falam alto,
mas não são sábios.

Esvazio.
E contemplo.

E quando consigo,
aquilo que me molestava
se esfuma,
como névoa ao sol.

Redescubro —
com um espanto manso —
o que me acontece é mágico.
Não por ser perfeito,
mas porque responde
àquilo que irradio.

O mundo não me atinge:
me espelha.

A arte da presença
transforma o fora
em ponte
que acessa o dentro.

E quando percebo isso,
tudo se reorganiza.

Sendo tudo,
o amor flui.
Integra diferenças,
desarmonias,
inconveniências.

Nada precisa ser excluído
para que haja sentido.

Eu permaneço.
E isso basta.

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