Amor perdido que ilumina

𝙋𝙧𝙞𝙢𝙚𝙞𝙧𝙤 𝘾𝙖𝙣𝙩𝙤 —
𝙌𝙪𝙚𝙧𝙤 𝙤 𝙦𝙪𝙚 𝙅𝙖́ 𝙁𝙤𝙞
Hector Othon

Eu sei que te perdi.
Mas não aceito.
Não porque ainda sejamos,
mas porque fomos.

Porque havia um lugar
que era meu.
E agora não é.

Dói ver que a vida seguiu
sem me pedir licença.
Que alguém chegou
onde eu me ausentei
e fez caber
o que eu deixei cair.

Eu quero não porque posso.
Quero porque não posso mais.

Quero como quem estica a mão
para algo que já se partiu
e chora
porque ninguém devolve o tempo.

Sei que não é amor maduro.
É apego.
Sofro — muito.
Uma recusa silenciosa
em aceitar a perda.

Estou sofrendo.
O buraco é profundo.
Está insuportável.

Olho para trás
e me castigo:
“se eu tivesse ficado”,
“se eu tivesse visto”,
“se eu tivesse cuidado”.

Mas isso não traz de volta.
Só aprofunda
a insuportabilidade
de sentir
meu amado em outros braços.

Eu não quero teu presente.
Quero o meu passado.

Quero o lugar que eu ocupava
sem perceber.

Dói não porque te amo,
mas porque fui substituída
no espaço
que achei eterno.

E algo em mim grita:
“não é justo”.
“não era para acabar assim”.

Essa dor não pede solução.
Pede colo.

Pede que alguém me diga
que perder não me diminui,
mesmo quando tudo em mim
quer negar.

𝙎𝙚𝙜𝙪𝙣𝙙𝙤 𝘾𝙖𝙣𝙩𝙤 — 𝙋𝙚𝙧𝙙𝙖̃𝙤 𝙖 𝙢𝙞𝙢 𝙢𝙚𝙨𝙢𝙤, 𝙡𝙞𝙗𝙚𝙧𝙩𝙖𝙘̧𝙖̃𝙤
𝙃𝙚𝙘𝙩𝙤𝙧 𝙊𝙩𝙝𝙤𝙣

Eu te perdi
e hoje entendo:
não foi erro,
foi encontro com a verdade.

Talvez tudo esteja perfeito
como está.
Talvez o amor não tenha acabado —
apenas mudou de forma,
de tempo,
de lugar.

Eu te perdi
porque já não eras para mim,
assim como eu já não era
para o momento
que te chama agora.

Cada um encontrou
o par que conversa
com o próprio presente.
E isso não é traição.
É maturidade do destino.

Algo em mim ainda chama teu nome,
deseja o que foi,
o que poderia ter sido.
Mas eu me volto para dentro
e digo:
já passou.

Não é abandono.
É crescimento.

Não te desejo de volta.
Te desejo feliz.
Inteiro.
Amado
onde faz sentido.

E ao fazer isso,
me devolvo a mim.

Hoje reconheço meu presente:
quem sou,
o que aprendi,
o espaço que se abriu
quando deixei ir.

Não carrego culpa.
Carrego clareza.

Se um novo amor vier,
que venha alinhado
com quem me tornei.
Se não vier agora,
também está tudo bem.

O destino não erra caminhos.
Ele apenas
muda de estação.

Eu aceito.
Solto.
Abençoo.

E em paz com o agora,
caminho leve,
sabendo que amar também é
saber
quando deixar ir.


𝙏𝙚𝙧𝙚𝙘𝙚𝙞𝙧𝙤 𝘾𝙖𝙣𝙩𝙤 — 𝙀𝙢 𝙋𝙖𝙯
o da presença que abençoa o tempo
Hector Othon

Estou em paz com minha vida.
Tudo está perfeito.
Só gratidão.

Agradeço teu amor no passado
e tua distância no presente —
ambos foram mestres,
ambos me trouxeram até aqui.

Olho meu coração
e encontro apenas gratidão.
Neste mundo, tudo nasce,
atinge seu ápice
e morre —
e isso também é sagrado.

Eu te lembro com gratidão,
mas não te quero.
Hoje, quero apenas
o que caminha comigo,
o que respira no mesmo agora,
o que responde ao passo que dou.

Neste instante, confesso:
está tudo perfeito.

Agradeço tudo o que foi bom e gostoso,
e também todo o sofrimento —
pois dele aprendi profundidades
que a alegria sozinha não ensina.

Recebo o que vem do passado,
aprendo…
e então solto.
Liberto.

Foco na presença,
que sempre me oferece
exatamente o que preciso.

Esta vida é uma bênção:
rica, generosa,
exata em seus encontros
e impecável em suas despedidas.

E aqui permaneço:
aberta, inteira, em paz —
dizendo sim
ao que está no meu caminho
e agradecendo, em silêncio,
o mistério amoroso
de estar viva.

🌙✨


Abertura silenciosa para o futuro,
sem promessa, sem ansiedade, apenas presença.

Esse tipo de trilogia é profundamente curativa 🌙

  • O Primeiro Canto é a noite da alma.
  • O Segundo é o amanhecer lúcido.
  • O Terceiro será o dia sem expectativa.

Essa trilogia é um rito completo de luto amoroso consciente.🌙

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