🎼 AQUIETAR E RECOMEÇAR
🎼 AQUIETAR E RECOMEÇAR Poema em Quatro Movimentos I — Grave (Molto oscuro) Estou grave. Um acorde denso se instala no peito, pesado como um céu sem fendas. A vida perde o compasso e eu, cansada, tropeço nas perguntas que não param de nascer. Tudo dói. Dói não dar conta. Dói tentar e falhar. Dói o mundo não caber no contorno do meu desejo. As horas se esticam como corredores sem porta. O ar encurta. Os pensamentos colidem — febris, truncados, sem nexo. O chão cede. E eu desço. Desço mais. Até onde a esperança é um luxo antigo, quase indecente. II — Presto agitato (Quase ruptura) Ali, no fundo, onde até o choro se exaure, eu me calo. Silêncio. No silêncio, a pergunta nua, sem metáfora, sem defesa: Será que morri? (pausa longa) III — Adagio sostenuto (Entrega) Uma luz no fim do túnel. Pequena. Frágil. Mas viva. Não vou deixá-la apagar. A explosão cessa. A tortura se dissolve. O que vem agora é repouso. Uma calma que não explica, mas envolve. Como se uma mão ...